Resenha: As seis lições de Mises

As 6 lições de Ludwig Von Mises (1979) é uma obra transcrita pela sua esposa – Margit Von Mises -, após a sua morte, onde aborda uma série de conferências proferida por Mises na Universidade de Buenos Aires (Argentina), na década de 1960 onde abrange os 06 principais tópicos de economia: capitalismo, socialismo, intervencionismo, inflação, investimento externo e a políticas e ideias.

As seis lições foram apresentadas a um grupo de estudantes que tinham acabado de passar pelo Peronismo e pela ditadura militar que durou somente 3 anos e acabou meses antes de suas palestras. Os estudantes até então, tinham tido apenas contato com a ditadura e o populismo.

A obra é um preludio da Escola Austríaca, onde Mises ensina de forma clara as ideias de liberdade para ignorantes na área da economia. Ele aborda a diferença entre a liberdade e todas as suas nuances até chegar ao totalitarismo (socialismo)

É uma obra voltada para quem tem interesse em aprender economia começando pelos seus conceitos fundamentais, com uma linguagem acessível e elucidativa.

Mises inicia a palestra pontuando o capitalismo como uma maneira de atender as necessidades da população através de meios de produção em massa. Ele destaca que os grandes empresários não são os responsáveis pelo sucesso e sim os consumidores que na qual, por meio da demanda e procura, definem o sucesso do empresário, o tamanho da empresa e a contratação de funcionários.

O livre mercado é de extrema importância para o capitalismo, pois uma economia aberta atrai concorrência, obrigando os empresários a melhorarem constantemente seus serviços com um preço acessível.

Após ele fala sobre o socialismo, onde refuta o controle de preços e o cerceamento da liberdade, tanto econômica, como pessoal, pelo governo. Mises esclarece que, ao existir o controle de preços, não há como existir controle econômico, já que o preço é definido pelos consumidores através da oferta e demanda, na qual estes definem a margem de lucro e salários dos funcionários. O socialismo impossibilita tais cálculos econômicos objetivos em uma economia totalmente controlada pelo Estado, gerando a escassez de bens e serviços. É impossível o Estado prestar um serviço melhor que o Mercado, pois o Estado nada produz e não recebe pela qualidade de seu produto bem como não há concorrências.

A terceira lição é sobre a intervenção do estado na economia, ressaltando que há diversas maneiras do estado intervir na economia e os efeitos que estas intervenções causam, direta e indiretamente no sistema de preços do mercado. Mises acredita que deva existir um governo, porém é de extrema importância que este seja mínimo, cumprindo apenas com sua função primaria: proteger o cidadão. As intervenções, além de alterar o sistema de preço, impacta na liberdade individual das pessoas, onde leis são criadas partindo de cada intervenção imposta. Uma intervenção leva a inúmeras intervenções. As restrições não interferem somente nas liberdades individuais, mas também no mercado, onde o estado define o que você pode ou não consumir, diminuindo as opções e elevando os valores.

Intervenções estatais prejudicam automaticamente a livre-concorrência, levando a estatização da economia e posteriormente, em algum grau, ao socialismo.

A quarta lição é a inflação, Mises destaca que a inflação é o aumento na quantidade de dinheiro na economia, desorganizando o sistema econômico, ocasionando um colapso na economia do país, pois não é possível criar prosperidade econômica ou reduzir o desemprego através da emissão de moedas. É uma relação simbiótica com a intervenção que resulta em vantagem a quem tem acesso ao dinheiro recém impresso, levando ao aumento dos preços como consequência direta do custeio da estrutura e de investimentos. O governo vale-se da inflação como método de arrecadação de fundos, sendo vista como uma estratégia menos impopular e propensa ao aumento da carga tributária.

O investimento estrangeiro é a quinta lição onde Mises ressalta a importância do investimento externo que na qual traz capital, aumentando o bem-estar da população com investimentos em tecnologia, qualidade dos produtos e aumento do consumo por produtos e serviços. É a resposta para a expansão rápida de uma nação. O investimento estrangeiro também estimula que empresas nacionais invistam mais em seus produtos e serviços para competir e lucrar.

A sexta lição é política e ideias. Nesta lição, Mises esclarece que os países que enriquecem com mais facilidade são aqueles que com mais liberdade econômica com uma estreita proximidade com o livre-mercado. Ele também frisa que o constitucionalismo se tornou um sistema de pressão, onde o erro das nações foi concluir que poderia haver independência entre as dimensões econômica e política, porém é otimista quando se aplica em uma sociedade com livre-mercado.

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