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Fascismo é de esquerda, babaca!

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Texto: Camila Abdo
Arte visual: Dimas Rocha
Revisão de Texto: Alex Toledo

Material para download: 
Arte: Dimas Rocha


“Tudo no Estado, nada contra o
 Estado, nada fora o Estado.”
Benito Mussolini

A primeira revolução totalitária foi a Revolução Francesa. Ela é a mãe do totalitarismo moderno e o modelo espiritual que inspirou três revoluções: a fascista italiana, a nazista alemã e a comunista russa. Baseada em um levante nacionalista-populista, foi liderada por uma vanguarda intelectual com a intenção de substituir o cristianismo por uma religião política que glorificava “o povo”, em conjunto com a vanguarda revolucionária como seus sacerdotes e reduzia os direitos dos indivíduos. “O povo sempre vale mais que os indivíduos (…). O povo é sublime, mas os indivíduos são fracos”, Robespierre.

O fascismo é um movimento político que se iniciou na Itália, no século XX, com o político Benito Mussolini. Em 1914, ele fundou o grupo Fasci d’Azione Rivoluzionaria (mais tarde, em 1922, surgiria o conhecido partido Nacional Fascista), que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador.

Mussolini prometia, com o fascismo, trazer de volta os tempos áureos do antigo Império Romano. Mussolini fez 440 mil vítimas com seu regime ditador de esquerda.

Ideologia: Fascismo

Foco: Filosofia do Estado

Antes:

27 a.C,-476: O império Romano rapidamente se espalha na Europa para África e Ásia.

1770 – 1831: Georg Hegel desenvolveu sua filosofia de unidade e idealismo absoluto, mais tarde usada por Gentile para defender o Estado que inclui tudo.

Depois:  

1943 – 1945: As forças aliadas invadem a Itália ao final da II Guerra Mundial, e o regime fascista se rende.

1940 – 1960: Movimentos neofascistas se tornam cada vez mais populares na América Latina.

A partir de 1960: Filosofias neofascistas são incorporadas a muitos movimentos nacionalistas.

A concepção fascista do Estado abarca tudo. A lei e a vontade da nação têm prioridade sobre a vontade individual, todos os valores humanos e espirituais estão dentro do Estado e toda ação individual serve para preservar e expandir o Estado.

A Alemanha aprovou as políticas raciais – as Leis de Nuremberg – em 1935, e a Itália de Mussolini a seguiu em 1938. Os judeus alemães foram levados para campos de concentração em 1942, e os judeus na Itália foram levados para campos de concentração em 1943. Até a Itália aprovar as suas leis raciais, na realidade havia judeus trabalhando no governo italiano e no Partido Fascista. Os judeus só foram aprisionados depois que os nazistas invadiram o norte da Itália e criaram um governo títere em Saló.

Benito Mussolini

“A bandeira nacional é para nós um
trapo a ser fincado num monte de esterco”

Mussolini

Autor da célebre frase: “Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”, seu pai, ferreiro e revolucionário e sua mãe, católica, avessa as ideias revolucionárias e professora, seu nome foi uma homenagem a uma figura revolucionária do México, Benito Juarez. Mussolini queria ser um professor revolucionário. No início do século XX, após ser recusado como professor em diversas cidades, em sua juventude, deixou a Itália e foi para a Suíça, onde se tornou ativista do socialismo e, posteriormente, jornalista político.

Herdou o ódio de seu pai pela religião, principalmente pela Católica, onde gostava de ridicularizar Jesus, dizendo que ele era um “judeu ignorante” e afirmava que, em comparação a Buda, ele era um pigmeu. Retornando a Itália, insistentemente acusava os padres de torpeza moral e denunciava a Igreja Católica das mais variadas maneiras. Mussolini considerava o cristão “escravo moral” e expulsou os cristãos de todos os postos que ocupavam no socialismo italiano. Em 1910, em um congresso socialista em Forli, defendeu uma resolução que qualquer fé que seja monoteísta era incompatível com o socialismo, estabelecendo que qualquer socialista que praticasse uma religião ou mesmo a tolerasse em seus filhos deveria ser expulso do partido.

Sexualmente promiscuo, teve mais de 166 amantes, incluindo esposas de seus amigos, gostava de sustentar um medalhão com a efígie de Karl Marx.  

Ávido leitor, sua influência em teoria socialista era, se não lendária, certamente impressionante. De acordo com estudiosos e por seus próprios escritos, seus autores favoritos eram: Marx, Engels, Schopenhauer, Kant, Nietzsche, Sorel e outros. De 1902 a 1914, Mussolini escreveu incontáveis artigos, tanto examinando quanto traduzindo a literatura socialista e filosófica da França, Alemanha e Itália.

Inclusive, Lênin disse que Mussolini era o único verdadeiro revolucionário na Itália. Lênin também proferiu: “Mussolini? É uma grande pena que o tenhamos perdido! Ele é um homem forte que teria levado nosso partido à vitória”.

Único entre os principais líderes da Europa nas décadas de 1930 e 1940, ele podia falar, ler e escrever de maneira inteligente em diversos idiomas. Franklin Roosevelt e Adolf Hitler eram os melhores políticos e comandantes principalmente por causa de seus lendários instintos aguçados. Mussolini era o mais astucioso dos três.

Mussolini juntou-se à liderança formal do partido e, quatro meses depois, assumiu a posição de editor de um jornal nacional, Avanti!, um dos mais ambiciosos postos radical europeu. Lênin, monitorando a distância o progresso de Mussolini, registrou a sua aprovação no Pravda.

Mussolini era um dos mais importantes socialistas radicais da Europa e membro do que era, o mais radical partido socialista fora da Rússia. Sob sua supervisão, o Avanti! tornou-se quase um credo para toda uma geração de intelectuais socialistas, inclusive Antônio Gramsci.

Mussolini reconhecia que o fascismo era percebido como um movimento da “direita”, mas nunca deixou de esclarecer que a fonte de sua inspiração pessoal e seu lar espiritual era à esquerda socialista. Mussolini disse: “Doze anos da minha vida no partido têm que ser garantia suficiente de minha fé socialista. O socialismo está no meu sangue” e, “vocês pensam que podem me expulsar, mas descobrirão que eu voltarei. Sou e permanecerei um socialista, e minhas convicções nunca mudarão. Elas estão gravadas em meus próprios ossos”.

O ditador fascista era um herói para os jornalistas liberais progressistas dedicados a denunciar corrupções e escândalos e defender os interesses do homem comum. Um famoso jornalista progressista, Lincoln Steffens, ao retornar da União Soviética exclamou: “Estive no futuro, e funciona.” Pouco depois, declarou a respeito de Mussolini: “Deus criou Mussolini a partir de uma costela da Itália”. Steffens não via nenhuma contradição entre seu gosto pelo fascismo e sua admiração pela União Soviética.

Já Giuseppe Prezzolini, um respeitado professor na Universidade de Colúmbia, foi o responsável para fazer do fascismo italiano o primeiro “movimento jovem” bem-sucedido do mundo. O establishment educacional americano estava maravilhado com os avanços da Itália sob o notável “mestre-escola” Benito Mussolini. Em 1926, a Universidade de Colúmbia criou a Casa Italiana – um centro de estudos da cultura italiana e cenário para palestras acadêmicos italianos. – Era considerada a verdadeira casa do fascismo, onde ideólogos fascistas estavam ganhando destaque. O próprio Mussolini, envaidecido pela homenagem, doou móveis barrocos para a Casa Italiana e agradeceu a “grande e valiosa contribuição”.  

Porém os americanos tinham a consciência de que o fascismo não seria bom para seus cidadãos. Essa distinção era feita por uma grande variedade de destacados intelectuais liberais, os mesmos que defendiam o “experimento” comunista de Fidel Castro somente para os cubanos.

Mussolini era também um fervoroso nacionalista italiano e foi expulso do Partido Nacionalista Italiano por seu apoio à intervenção na I Guerra Mundial. Em 1917, foi ferido por uma explosão de uma granada. Seu período como soldado foi útil para a política – muitos veteranos de guerra acreditavam que, quando Mussolini falava em público, falava em nome deles. Após prestar serviço no Exército Italiano, renunciou à ideia socialista ortodoxa de uma revolução proletária. Fundou o Partido Fascista em 1919, quatro meses depois do fim da guerra e desenvolveu uma mescla de ideias nacionalistas e socialistas no Manifesto Fascista, em 1921.

Em 1901, aos 18 anos, escrevia para um jornal de cunho socialista.

Liderou seu Partido Nacional Fascista em um golpe de Estado, a “Marcha sobre Roma”, em 1922, tornando-se o primeiro-ministro de um governo de coalizão no ano seguinte. Depois de alguns anos, assumiu poderes ditatoriais usando o título II Dulce (O líder), iniciando um programa de obras públicas e reformas econômicas.

Em 1932, Mussolini visitou a Exposição da Revolução Fascista, em Milão. O evento de vasta e impressionante propaganda foi desenvolvido por artistas e intelectuais para anunciar a Nova Era.

Na II Guerra Mundial, ficou do lado da Alemanha de Hitler. Após invasão aliada na Itália, foi capturado e mais tarde liberado pelas forças alemãs. Por fim, foi capturado por sectários italianos e executado em 1945.

O que é fascismo?

O fascismo nasceu de um “momento fascista” da civilização ocidental, quando uma coalização de intelectuais com denominações variadas – progressistas, comunistas, socialistas, e assim por diante – acreditou que a era da democracia liberal estava chegando ao fim. Baseado no mesmo material intelectual que Lenin e Trotsky se basearam para criar o comunismo, Benito criou o fascismo, declarando assim que o século XX seria “o século do fascismo”.

Popularizado por Benito Mussolini (1883-1945), e a nomenclatura vem de fasci (feixe), simbolizando a autoridade na era romana e a razão da escolha deste nome para a ideologia vem do fato que uma vara oferece muito menos resistência do que um feixe de varas. Ou seja, a analogia é que a coletividade é mais forte que o indivíduo. O regime fascista de Mussolini admitia o capitalismo, mas, assim como os comunistas, não tinha grande apreço pela liberdade, pois submetia o indivíduo, os sindicatos e as empresas aos interesses do Estado. Os fascistas realizaram forte intervenção na relação entre patrões e empregados. Os fascistas, assim como os socialistas e comunistas, defendem a intervenção estatal na economia para “corrigir” os problemas que eles veem no capitalismo.

Em um Estado fascista, não há a supremacia do consumidor, que na qual decide qual empresa prospera por meio dos serviços prestados e preços. Essa supremacia do consumidor é diminuída, e empresários que possuem boas conexões políticas enriquecem graças ao bom relacionamento com os governantes, e não ao mérito por fornecer produtos ou serviços com maior eficiência que seus concorrentes, como é de praxe em um livre-mercado genuíno.

O fascismo é a defesa de um Estado inchado e totalitário que tem por finalidade interferir, tanto a vida das pessoas, como das empresas, promovendo assim uma espécie de nociva simbiose entre empresas e governantes, facilitando assim a corrupção.

Com o fim, em 1918, da I Guerra Mundial, a Itália estava em estado de calamidade pública.  O país foi forçado a entregar territórios para a Iugoslávia e estava economicamente quebrado, altos índices de desemprego em decorrência da guerra.

Com a incapacidade dos políticos de dar uma solução ao caos, os grupos de esquerda assim como os de direita começaram a tomar forma e tamanho e ganhar popularidade, por fim, apoio dos camponeses e trabalhadores. O Partido Fascista Nacional sob a liderança política de Benito Mussolini e a orientação filosófica de Giovanni Gentile, defendiam uma nova forma radical de organização social baseada em um Estado Fascista. Tanto Mussolini como Gentile rejeitavam a ideia de individualismo e achavam que a resposta para tirar a Itália do caos econômico e promover melhores condições de vida para os cidadãos era o coletivismo. Sem o sindicalismo, o fascismo seria impossível.

O sindicalismo inspirou a teoria corporativista ao argumentar que a sociedade poderia ser dividida por setores profissionais da economia, uma ideia que influenciou profundamente o New Deal tanto de Franklin Delano Roosevelt (FDR) quanto de Hitler. Mas a maior contribuição de Georges Sorel (teórico francês do sindicalismo revolucionário) à esquerda – e a Mussolini em particular – foi outra: seu conceito de “mitos”, que ele definia como “combinações artificiais inventadas para dar a aparência de realidade a esperanças que inspiram os homens em sua atividade corrente”. Inclusive os sindicalistas da época, influenciados por Sorel, tinham que greves gerais esmagaria o capitalismo e faria dos proletários os herdeiros da Terra. Segundo Sorel, o que contava era mobilizar as massas para que compreendessem seu poder sobre as classes dominantes capitalistas. Sorel também aplicou a teoria do Mito ao próprio marxismo, colocando que a teoria marxista não precisava se cumprir; as pessoas apenas precisavam pensar que ela se cumpriria. Sorel ainda destaca que o capital de Marx tinha pouco mérito e que seria mais rentável usa-lo como material profético; apocalíptico. Deste modo, as massas absorveriam o marxismo sem questionamentos, como um dogma religioso. Sorel se baseou no pragmatismo de William James (intelectual pragmático), que pregava que o importante era “crer”. Casando a teoria do “crer” de James e a vontade de poder de Nietzsche, Sorel desenvolveu uma nova política revolucionária esquerdista, tornando-o um movimento religioso revolucionário que acreditava na utilidade do mito do socialismo científico. Revolucionários esclarecidos, como Lenin, Mussolini e Trotski, agiriam como se o marxismo fosse um credo a fim de ter controle total sob as massas em nome de um bem maior. Mussolini e Lenin partilhavam da mesma ideia, inclusive Lenin afirmava que as massas eram apenas instrumentos para que pudessem moldar a “consciência revolucionária” por meio de grandes intelectuais radicais revolucionários que influenciariam as massas e treinados para rejeitar acordos, política parlamentar e qualquer coisa que lembrasse uma reforma incremental, mesmo que tivessem que fazer uso de violência.

Sorel ainda destaca que “precisamos criar uma minoria proletária suficientemente numerosa, suficientemente bem informada, suficientemente audaciosa para substituir, no momento oportuno, a minoria burguesa”. Lenin pontuava que: “As massas simplesmente seguirão e se submerão”.

Gentile ressalta que a concepção fascista do Estado como uma atividade em relação à vida na qual indivíduos e gerações são unidos por uma lei e uma vontade mais elevadas: mais especificamente, a lei e uma vontade mais elevada da nação. Assim como o comunismo, o fascismo buscou promover valores além do materialismo, e, como Marx, Gentile queria que sua filosofia servisse de base para a nova forma de Estado. Mas ele não concordava com a posição marxista que admitia a sociedade dividida em classes sociais e sim moldar toda as vontades individuais em uma só.

Esse novo entendimento do Estado foi desenvolvido para invocar um “espírito italiano” confiante e vitorioso, possível de ser traçado até o Império Romano. Tendo Mussolini como “Il Duce” (“O Líder”), o entendimento fascista do Estado traria a Itália de volta para o mapa mundial como uma grande potência. Todas as formas da sociedade civil fora do Estado eram reprimidas, e todas as esferas da vida – econômica, social, cultural e religiosa – se subordinavam a ele, que também queria crescer por meio da expansão colonial, que se daria principalmente com as conquistas no norte da África. Gentile foi principal filósofo do fascismo. Tornou-se ministro da educação de Mussolini e organizador chefe da política cultural. Desempenhou papel fundamental na construção de um Estado Fascista.

Benito Mussolini convenceu os italianos de que poderia fazer algo efetivo para resolver os problemas da Itália e de fato conseguiu por algum tempo. Com a intenção de ser um professor revolucionário, no início do século XX, após ser recusado como professor foi viver na Suíça. Possuidor de uma boa retorica e habilidoso com a escrita, Mussolini, combativo e ambicioso, fundou o Partido Fascista, em Milão, em março de 1919, quatro meses depois do fim da guerra. Seu partido pedia ordem no caos civil, ao mesmo tempo que contribuía para a manutenção do caos. Denunciava o alto nível de desemprego e desejava auxiliar os trabalhadores, mas não por meio de sindicatos trabalhistas; prometia ainda refrear o individualismo capitalista. Em lugar de corporações, sindicatos, universidades e um parlamento fortes, defendia o poder do estado como uma instituição que impõe, julga e inspira. Além de confiar no poder da sua oratória, Mussolini também acreditava na força bruta. 

Em 1921, os fascistas de Mussolini, vestindo camisas pretas, feriam adversários, tomavam o controle das repartições públicas e dispersavam reuniões de grupos políticos rivais. Com início em áreas urbanas, o partido conseguiu adeptos nas áreas rurais, graças à sua visível simpatia pelos esforçados trabalhadores dos campos.

Em outubro de 1922, o partido fascista tinha militantes o suficiente para planejar um grande comício popular e fazer uma ameaçadora demonstração de força. Às estações de trem de Roma, em poucos dias, chegaram perto de 30 mil fascistas e logo chegaram a 50 mil munidos de rifles, pistolas, bastões, porretes e açoites.

Diante dos fascistas, chamados de camisas-negras reunidos em Roma, o rei Victor Emmanuel III e o primeiro-ministro concordam em declarar estado de emergência. O exército teria, então, autoridade para impor ordem nas ruas. Na manhã seguinte, o monarca mudou de ideia e se recusou a assinar a promulgação que declararia o estado de emergência. Embora o rei não fosse partidário de Mussolini, acreditava ter chegado a hora de um líder forte formar a coalisão e comandar temporariamente a nação que estava dispersa e dividida.

Rei Victor escolhe Mussolini para o espanto do parlamento, uma vez que o partido fascista era superado, em número pelos liberais, católicos, conservadores e mesmo pela quantidade de socialistas e comunistas somados e ainda tinha o perigo de Mussolini derrubar a monarquia.

Da nova equipe formada pelo gabinete do rei, dos 14 membros, três eram fascistas e dois heróis de guerra.

Seis semanas depois, o parlamento concedeu a Mussolini e a seu gabinete, por ampla maioria (sendo os socialistas e comunistas seus dissidentes), o direito de um ano. No primeiro ano, Mussolini proporcionou ordem o suficiente para agradar à maioria dos italianos.

Nas eleições nacionais de 1924, os fascistas aproveitaram todos os recursos do estado para aumentar sua votação, enquanto seus adversários estavam enfraquecidos e divididos, os fascistas obtiveram 403 das 599 vagas. Mais tarde Mussolini aboliu as eleições sob alegação que estas não eram mais necessárias no país.

Com tal decisão autoritária, a Itália se tornou assunto na Europa. Os democratas se aterrorizavam com a ideia do banimento de partidos rivais e a deportação de dissidentes políticos para ilhas que serviam de prisão, sem benefício de um julgamento.

Greves foram proibidas, houve interferência nas universidades e a censura dos meios de comunicação. Jornais, livros, programas de rádio e até anúncios foram censurados.  Os insatisfeitos só podiam expressar suas opiniões na privacidade de seus lares e nos confessionários.

Arturo Toscanini, maestro que, antes simpático a Mussolini, posteriormente contrário, se recusou a conduzir a apresentação do hino fascista em um dos eventos musicais mais esperados do século XX, a estreia de Turandot. Após a recusa, em 14 de março de 1931, ao entrar em um teatro onde regeria a orquestra, ele e sua mulher foram atacados por fascistas. Três meses mais tarde o maestro deixou o país.

Mesmo com as ameaças e intimidações que dominavam a vida pública e intelectual dos italianos, muitos consideravam que era melhor uma ditadura fascista do que comunista, porque a Itália havia se recuperado sob o regime de Mussolini. Não somente a Itália. Países vizinhos, como a Finlândia e em vários outros países europeus. A economia se recuperava, o desemprego diminuía e não havia mais greves, bem como o funcionário público estava menos susceptível ao suborno. No Sul, a Máfia estava sob controle.

Mussolini também alterou alguns vieses políticos, como por exemplo, em 1919, o partido queria confiscar as propriedades de ordens religiosas e em 1929, Mussolini assinou um tratado que faria do Vaticano, o lar do papa, uma nação independente. Sob o domínio de Mussolini, a Itália teve grandes conquistas nos eventos internacionais, como Copa do Mundo.

Mussolini foi ofuscado por Hitler, porém sua influência na década de 1920 é inegável. Turistas alemães ficavam impressionados como a Itália emergiu do caos econômico e como isso poderia ser aplicado na Alemanha. De certa forma, Mussolini abriu caminho para Hitler.

Mussolini e Hitler

Você é o máximo!
Você é o Grande Houdini
Você é o máximo!
Você é Mussolini!

Versão anterior da música de
Cole Porter “You’re the top”.



Hitler escreveu: “O surgimento de uma nova e grande ideia foi o segredo do sucesso da Revolução Francesa. A Revolução Russa deve seu triunfo a uma ideia. E foi somente uma ideia que capacitou o fascismo a triunfantemente submeter toda uma nação a um processo de renovação total”, reconhecendo Mussolini como pai do fascismo.

Porém Hitler não pegou do fascismo a ideia do nazismo. A única coisa que ele absorveu do fascismo foi a importância de criar uma ideia capaz de levantar e mobilizar as massas e, no início, Mussolini não reivindicava nenhum parentesco com o nazismo, inclusive ridicularizando a teoria nazista, alegando que era uma ideologia puramente racista, apontando ainda que os alemães proveem de uma mestiçagem de seis povos diferentes. Mussolini tratava com um certo desprezo as políticas racistas de Alemãs. O fascismo de Mussolini não desempenhou nenhum papel discernível na formação da ideologia nazista inicial nem na visão política embrionária de Hilter.

Hitler não tinha uma boa coerência ideológica. Seu oportunismo, pragmatismo e megalomania frequentemente superavam qualquer possibilidade de formular uma abordagem ideológica dogmática. No mais, o nazismo e o fascismo eram dois movimentos populares que contavam com o apoio de todos os estratos da sociedade.

Mais tarde Hitler confessa que, o que admirava em Mussolini era o sucesso, suas táticas, sua exploração soreliana do mito político, sua capacidade de vender o que quer que fosse. Essas ideias e esses movimentos dominaram a Europa e a Alemanha. Uma nova doutrina era desnecessário no atual cenário. Colocar as doutrinas existentes em ação era o caminho correto e foi exatamente isso que Hitler fez.

Até a Itália aprovar a famigerada lei racial, os judeus trabalhavam no governo italiano e no Partido Fascista. Os judeus foram aprisionados depois que os nazistas invadiram o norte da Itália e criaram um governo títere em Saló.

A Alemanha aprovou as políticas raciais – as Leis de Nuremberg – em 1935, a Itália de Mussolini a seguiu em 1938. Os judeus alemães foram levados para campos de concentração em 1942, e os judeus na Itália foram levados para campos de concentração em 1943.

Mussolini foi fiel a Hitler, ajudando a amontoar judeus dentro dos vagões e envia-los para os campos de concentração nazistas. Após a aprovação aprovada as Leis Raciais na Itália, Mussolini e seus soldados agiram com um grau de barbaridade que nem os nazistas chegaram a tanto.

Durante a década de 1920, antes da aprovação das Leis Raciais, Mussolini era apoiado pelo rabi de Roma, por uma grande parte da comunidade judaica italiana e da comunidade judaica mundial também. O fascismo, até formar laços com o Hitler, nada tinha a ver com antissemitismo. Mesmo porque os judeus estavam representados no movimento fascista italiano desde a sua fundação, em 1919, até serem expulsos, em 1938.

As questões raciais impostas por Mussolini mudaram o rumo da opinião pública americana a respeito do fascismo. Mas não por causa dos judeus e sim porque Mussolini invadiu a Etiópia. Quando o reino africano foi invadido, os americanos ficaram claramente insatisfeitos, especialmente os liberais e os negros. Porém, o jornal Chicago Tribune apoiou a invasão e outros afirmaram que seria hipocrisia condená-la. O jornal New Republic – que estava em seu auge de sua fase pró-soviética – acreditava que seria “ingênuo” responsabilizar Mussolini quando o verdadeiro culpado era o capitalismo internacional. Como de praxe, a esquerda jamais assume seus erros e seus atos. Sempre a culpa é de terceiros.

Em 1923, o jornalista Isaac F. Marcosson escreveu no New York Times, que “Mussolini é o Roosevelt latino primeiro age e só depois procura saber se é legal. Ele tem sido de grande ajuda para a Itália”.

Em 1927, Mussolini foi considerado um grande homem pelos americanos, seguido de Lênin, Edison, Marconi, Orville Wright, Henry Ford e George Bernard Shaw. Winston Churchill o chamou de o maior legislador vivo do mundo.

Em 1940, Benito Mussolini chegou a Munique com seu ministro das Relações Exteriores, Galeazzo Ciano, para discutir com Hitler planos imediatos envolvendo a Segunda Guerra Mundial. Constrangido pela entrada tardia da Itália na guerra contra os Aliados, Mussolini se reuniu com Hitler determinado a propor um acordo com Hitler, onde exploraria a vantagem que os nazistas tinham sobre a França, exigindo a rendição total do país e ocupando o Sul que ainda estava livre. O ditador italiano queria se arriscar o menos possível, mas Hitler, que também não queria se arriscar, estava determinado a apresentar condições para a paz com a França. Ele precisava garantir que a frota francesa ficasse neutra e também evitar a formação de um governo no exílio no norte da África ou Londres, decidido a prosseguir ainda mais a guerra. Ele também negou o pedido de Mussolini para que as tropas italianas ocupassem o Vale do Rhone, a Córsega, a Tunísia e Djibouti (adjacente à Etiópia). Mussolini saiu frustrado da reunião, consciente do seu papel secundário para os intentos de Hitler.

 Mussolini foi ofuscado por Hitler, porém sua influência na década de 1920 é inegável. Turistas alemães ficavam impressionados como a Itália emergiu do caos econômico e como isso poderia ser aplicado na Alemanha. De certa forma, Mussolini abriu caminho para Hitler.

Texto: Camila Abdo
Arte Visual: Dimas Rocha
Revisão de Texto: Alex Toledo


Referências:

BLAINEY, G. Uma breve história do século XX. 2 ed. São Paulo: Editora Fundamento, 2014

GOLDBERG, J. Fascismo de esquerda – a história secreta do esquerdismo americano. Rio de Janeiro: Record, 2009.

MEADWAY, J. et al. O livro da política. 5 ed. São Paulo: Editora Globo, 2015

SINOTTI, E. Não, Sr. Comuna. 1 ed. Pirassununga: Editora Sinotti, 2015

7 thoughts on “Fascismo é de esquerda, babaca!

  1. Parabéns pelo texto e pelo seu canal, Camila.

    Já que o Alex Toledo não revisou seu texto, vou dar meu parecer, caso queira.

    Releia depois de escrever. Todo e qualquer texto. Tenho certeza que você sabe usar corretamente tudo que estava fora da norma, bastaria reler.

    – preposições ausentes ou erradas
    – crase
    – letra maiúscula para título de livro
    – informações repetidas (às vezes o mesmo parágrafo aparece duas vezes)
    – concordância de gênero

    Ademais, seria interessante considerar o objetivo do seu texto. Se for direcionado à direita, que já está propensa a concordar, está impecável. No entanto, um título cid-gomesiano como esse já afastaria de cara os esquerdistas, que poderiam receber uma aula com essas informações.

    Uma ordem cronológica no texto também ajudaria a entender o processo de surgimento até a ascensão do fascismo.

    Beijos!

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