Suicidio

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De acordo com o National Center of Health Statistics, o suicídio e oficialmente a oitava causa principal de morte nos Estados Unidos para indivíduos entre de 25 e 34 anos, e a maior parte dos epidemiologistas concordam que o número real de suicídios pode ser duas ou três vezes mais alto.
Muitos desses suicídios não relatados ocorrerem quando as pessoas supostamente passam por uma ponte ou pulam de um rochedo (Blumenthal, 1990). Por todo “ mundo, o suicídio causa mais mortes por ano do que o homicídio ou a guerra (World Health Organization, 2002).”

O suicídio é esmagadoramente um fenómeno branco. A maior parte dos grupos minoritários, incluindo afro-americanos e hispânicos raramente recorrem a essa violenta alternativa.
Como é de esperar com base na incidência da depressão nos nativos norte-americanos, as taxas de suicídio são extremamente altas, embora haja grande variabilidade entre as das tribos (entre os apaches as taxas são praticamente quatro vezes a média nacional) (Berlin 1987).
Mais espantoso ainda e o aumento dramático de mortes por suicídio nos últimos anos, mais evidente entre adolescentes. Entre 1960 e 1988, a taxa de suicídio em adolescentes aumentou de 3,6 para 11.3 para cada 100 mil pessoas, um aumento de 200% em comparação com um aumento geral da população de 17%, antes de se estabilizar um pouco.
Para os adolescentes, o suicídio é a terceira causa principal de morte, ficando atrás dos acidentes com automóveis e dos homicídios.
Há também o aumento das taxas de suicídio entre os idosos. Esse aumento foi associado com a crescente incidência de doenças entre os mais velhos e na crescente perda de apoio social (Conwell, Duberstein e Caine, 2002).

Como observamos, existe forte relação entre a doença ou a enfermidade e o desânimo ou a depressão.

De fato, em 2000, quando aproximadamente 12,5% tinham 65 anos ou mais, esse grupo contribuía para 18.1% da taxa de suicídio (Brown et al., 2000; Center for Disease Control, 2000; Gallagher-Thump. son e Osgood. 1997; National Center for Health Statistics, 1993).
A tentativa de suicídio não ocorre apenas entre adolescentes e adultos: P. A. Rosenthal e Rosenthal (1984) descreveram 16 crianças, de 2 a 5 anos que tinham tentado suicídio pelo menos uma vez. Muitas se machucaram gravemente; o suicídio é a quinta causa principal de morte entre 5 e 14 anos (Minino et al , 2002).

lndependentemente da faixa etária, os homens são quatro ou cinco vezes mais propensos a cometer suicídio do que as mulheres (American Psychiatric Association 2003).

Esse fato alarmante parece estar relacionado, em parte, com as diferenças de gênero nos tipos de tentativa de suicídio.
Os homens geralmente escolhem métodos mais violentos, como armas e enforcamento; as mulheres tendem a opções menos violentas, como overdose de medicamentos (Buda e Tsuang, 1990. Gallagher-Thompson e Osgood, 1997).

Mais homens cometem suicídio durante a velhice e mais mulheres durante a meia-idade, em parte porque a maioria das tentativas por parte de mulheres mais velhas não são bem-sucedidas (Kuo, Gallo e “Ben, 2001).
Atualmente, a taxa de suicídio entre homens jovens nos Estados Unidos é a mais alta do mundo. Ultrapassa até as taxas do Japão e da Suécia – países ha muito conhecidos pelos altos índices suicídios (Blumenthal, 1990).
Como observamos, os homens mais velhos (além dos 65 anos) em todos os países correm mais risco de completar o suicídio. Homens brancos correm o risco mais alto (McIntosh et al., 1994).
Na China, exclusivamente, mais mulheres do que homens cometem suicídio, em particular nos ambientes rurais.
O que explica essa inversão culturalmente determinada? 03 cientistas chineses concordam que os índices de suicídio na China, provavelmente os mais altos do mundo, se devem uma ausência de estigma.
De fato, o suicídio, particularmente entre mulheres, é relatado com frequência na literatura chinesa clássica como uma solução razoável para os problemas.
A família rural de uma mulher chinesa é todo o seu mundo e o suicídio é uma solução honrosa se a família cai em ruína.
Além disso, os pesticidas altamente tóxicos estão disponíveis e é possível que muitas mulheres, que não necessariamente pretendiam se matar, acabem morrendo após ingerir veneno por acidente.
Além dos suicídios finalizados, dois outros importantes índices de comportamento suicida são:
– a tentativa de suicídio (a pessoa sobrevive) e a
– ideação suicida (a pessoa pensa seriamente em suicídio).
Embora os homens cometam suicídio com mais frequência que as mulheres, na maior parte do mundo as mulheres tentam suicídio pelo menos três vezes mais (Berman e Jobes, 1991; Kuo et al., 2001).
Essa alta incidência tem forte relação com as tentativas de suicídio (Frances Franklin e Flavin, 1986). Algumas estimativas mostram a relação de tentativas de suicídio e a finalização deles variando de 50:1 até 200:1 ou mais (Garland e Zigler, 1992; Moscicki, 1997). Além disso, os resultados de outro estudo (Kovacs, Goldston e Gatsonis, 1993) sugeriram que entre os adolescentes a relação de pensamentos suicidas até as tentativas e de 3:1 a 6:1.
Em outras palavras, nesse estudo, entre 16% e 30% dos adolescentes, que pensaram em se matar realmente tentaram fazê-lo. Os “pensamentos” nesse contexto não se referem ao tipo filosófico transitório de consideração mas, antes, uma séria contemplação do ato. O primeiro passo para a perigosa rota do suicídio e pensar sobre ele.
Em um estudo sobre estudantes de faculdade (entre os quais o suicídio é a segunda causa principal de morte), aproximadamente de 10% a 25% tiveram pensamentos relacionados a suicídio nos últimos 12 meses (Brener Hassan e Ramos 1999; Meehan et al., 1992, Schwartz e Whitaker, 1990).
Somente uma minoria dos estudantes de faculdade que tiveram pensamentos relacionados a suicídio (talvez em torno de 15%) tentou se matar e apenas alguns conseguiram (Kovacs et al , 1993). Não obstante, dada a enormidade do problema, tais pensamentos são considerados muito seriamente pelos profissionais da saúde mental.

CAUSAS

Na primavera de 2003, Bernard Lorseau, um dos maiores chefs franceses de todos os tempos, soube que um importante guia francês de restaurantes, o GaultMillau, estava reduzindo a classificação de um de seus restaurantes.
Essa era a primeira vez na carreira de Bernard que um de seus negócios tinha a classificação reduzida. Naquela mesma semana ele se matou.
Ao passo que a polícia rapidamente determinou morte por suicídio, a maior parte das pessoas na França não acharam que tinha sido suicídio, e acreditaram que o assassino ainda estava livre.
Os colegas de profissão de Bernard acusaram o guia de assassinato! Eles argumentaram que Bernard tinha sido profundamente afetado pelo rebaixamento da classificação, bem como pela especulação da mídia de que ele poderia perder uma das três estrelas Michelin (a Michelin publica o mais famoso guia francês de restaurantes).
Essa serie de acontecimentos causou sensação em toda a França e em todo o mundo culinário. Mas GaultMtllau matou Loiseau?

Vamos examinar as causas do suicídio:

Concepções do passado – O sociólogo Emile Durkheim (1951) definiu diversos tipos de suicídio. Com base nas condições sociais ou culturais nas quais aconteciam.
Um dos tipos são os suicídios “formalizados” que eram incentivados, tais como o antigo costume do hara-kiri no Japão, em que se esperava que um individuo que trouxesse desonra para si ou para sua família se empalasse com uma espada.
A esse tipo de suicídio, Durkheim chamou suicídio altruísta. Durkheim também reconheceu a perda do apoio social como um estimulo importante para o suicídio; ele denominou isso suicídio egoísta (os idosos que se matam após perder o contato com amigos ou familiares se enquadram nessa categoria.)
Magnelngvar, Ojehagen e Traskman-Bendz (1992) descobriram que somente 13% dos indivíduos que tentaram suicídio tinham uma rede social adequada de amigos e relacionamentos.
Os suicídios anômicos são o resultado de interrupções marcantes como a perda súbita de um emprego de alto prestigio (“’anomia” é sentir-se perdido e confuso).
Por fim, os suicídios fatalistas resultam de uma perda de controle sobre o próprio destino. O suicídio em massa dos 39 membros do culto Heaven’s Gate 6 um exemplo, porque as vidas daquelas pessoas estavam de certa forma nas mãos de Marshall Applewhite.
Líder autoritário e carismático. O trabalho de Durkheim foi importante para nos alertar sobre a contribuição social para o suicídio. Freud (1917/1957) acreditava que o suicídio (e a depressão, em certo nível) indicava a hostilidade inconsciente dirigida para dentro do ego em vez de para fora da pessoa ou da situação que causa raiva. As vitimas de suicídio parecem “punir” psicologicamente outras pessoas que podem tê-las rejeitado ou ter-lhes causado algum dano pessoal.
O pensamento atual considera os fatores sociais e psicológicos, mas também esclarece a importância potencial das contribuições biológicas.

Fatores de risco

Edward Shneidman foi o pioneiro no estudo dos fatores de risco para o suicídio (Shneidman, 1989; Shneidman, Farberow e Litman, 1970). Entre os métodos que ele e outros usaram para estudar as condições e os acontecimentos que tornam uma pessoa vulnerável esta a necropsia psicológica.
O perfil psicológico da pessoa que cometeu suicídio é reconstruído por meio de entrevistas extensas com amigos e familiares que podem ter conhecimento do que o individuo estava pensando e fazendo no período anterior à morte.
Esse e outros métodos permitiram aos pesquisadores identificar variados fatores de risco para o suicídio.

Histórico familiar: Se um membro da família cometeu suicídio, existe um risco elevado de alguém mais na família fazer o mesmo (Kety, 1990; Mann et al., 1999). De fato, Brent et al. (2002) observaram um risco seis vezes mais elevado de tentativas de suicídio na descendência dos membros familiares que tentaram suicídio, em comparação com a descendem dos que não tentaram.
Se um irmão ou irmã também tentou suicídio, o risco aumentaria ainda mais (Brent et al., 2003). Isso pode não ser surpreendente, porque muitas pessoas que se matam são deprimidas e a depressão ocorre em famílias. Não obstante, a questão permanece: as pessoas que se matam estão adotando uma solução familiar ou um traço hereditário, como a impulsividade, contribui para o frequente comportamento suicida nas famílias?
A possibilidade de que seja hereditário é apoiada por diversos estudos de adoção. Descobriu-se uma taxa elevada de suicídio nos parentes biológicos de indivíduos adotados que cometeram suicídio, em comparação com um grupo controle de adotados que não cometeram suicídio (Schulsmger, Kety e Rosenthal,l979; Wender et al., 1986). Em um pequeno estudo de gêmeos que cometeram suicídio, 10 de 26 sobreviventes monozigóticos (idênticos) co-gêmeos e nenhum dos nove sobreviventes dizigóticos (fraternos) co-gêmeos tentaram suicídio (Roy, Segal e Sarchrapone, 1995). Isso sugere alguma contribuição biológica (genética) ao suicídio, mesmo se ela for relativamente pequena.

Neurobiologia -Várias evidencias sugerem que os baixos níveis de serotonina podem estar associados com o suicídio e com as tentativas violentas de suicídio (Asberg, Nordstrom e Traskman-Bendz, 1986; Cremniter et al., 1999; Winchel, Stanley e Stanley, 1990).
Como observamos, os níveis extremamente baixos de serotonina estão associados com a impulsividade, a instabilidade e com a tendência de reagir exageradamente às situações (Spoont, 1992). Então, é possível que os baixos níveis de serotonina contribuam para criar uma vulnerabilidade para se agir impulsivamente. Isso pode incluir se matar, o que às vezes é um ato muito impulsivo. O estudo de Brent et al. (2002) sugere que a transmissão das vulnerabilidades para um transtorno de humor, incluindo o traço da impulsividade, pode mediar a transmissão familiar das tentativas de suicídio.

Transtornos psicológicos existentes – Mais de 90% das pessoas que se matam sofrem de um transtorno psicológico (Black e Winokur, 1990; Brent e Kolko, 1990; Conwell et al., 1996; Garland e Zigler, 1993; Orbach, 1997). O suicídio é frequentemente associado com os transtornos de humor e por um bom motivo.
Sessenta por cento dos suicídios (75% dos suicídios em adolescentes) estão associados com um transtorno de humor existente (Brent e Kolko, 1990; Frances et al., 1986). Lewinsohn, Rohde e Seeley (1993) concluíram que nos adolescentes o comportamento suicida e, em grande parte, expressão de depressão grave.
Contudo, muitas pessoas com transtornos de humor não tentam suicídio e, inversamente, muitas pessoas que tentam suicídio não tem transtornos de humor.
Por conseguinte, a depressão e o suicídio, embora muito relacionados, ainda são considerados independentes. Olhando mais de perto para a relação do transtorno de humor com o suicídio, alguns pesquisadores isolaram o desespero, um componente específico da depressão, como um significativo prognóstico para o suicídio (Beck, 1986; Beck et al., 1985; Kazdin, 1983).

O uso e o abuso de álcool estão associados com cerca de 25% a 50% dos suicídios (por exemplo, Frances et al,, 1986) e são particularmente evidentes em adolescentes suicidas (Brener et al., 1999; Conwell et al., 1996; Hawton et al., 2003; Woods et al., 1997). Brent e colaboradores (1988) descobriram que cerca de um terço dos adolescentes que cometeram suicídio estavam intoxicados quando morreram e que muitos mais poderiam estar sob a influência de drogas.
As combinações de transtornos, como abuso de substâncias químicas e transtornos de humor em adultos ou transtornos de humor e transtorno de conduta em crianças e adolescentes, parecem criar uma vulnerabilidade mais forte do que qualquer outro transtorno exclusivo (Conwell et al., 1996; Woods et al., 1997). Por exemplo, Hawton et al. (2003) observaram que o predomínio das tentativas anteriores e das tentativas repetidas dobrou se uma combinação de transtornos esteve presente.
No caso dos adolescentes, Woods et al. (1997) descobriram que o abuso de substâncias químicas combinado com os comportamentos de risco, como envolvimento em brigas, porte de arma e tabagismo, eram um prognóstico de suicídio adolescente, possivelmente um reflexo da impulsividade de jovens problemáticos.
Espósito e Clum (2003) também observaram que a presença dos transtornos de ansiedade e do humor (internalização) prognosticou tentativas suicidas em adolescentes. As tentativas anteriores de suicídio são outro fator de risco bastante significativo e devem ser consideradas com seriedade. Um transtorno caracterizado mais pela impulsividade do que pela depressão é o transtorno de personalidade borderline. Frances e Blumenthal (1989) sugerem que esses indivíduos, conhecidos por atos suicidas manipuladores e impulsivos não querem, necessariamente destruir a si mesmos, às vezes se matam por engano em 10% dos casos.
A combinação de transtorno de personalidade borderline e depressão é particularmente mortal (Soloff et al., 2000).

A associação do suicídio com os transtornos psicológicos graves, em especial a depressão, contaria o mito de que o suicídio e uma resposta ao desapontamento das pessoas que são saudáveis.

Acontecimentos estressantes -Talvez o mais importante fator de risco para o suicídio seja o acontecimento estressante experimentado como vergonhoso ou humilhante, como fracassar (de verdade ou na imaginação) na escola ou no trabalho, ser preso inesperadamente ou rejeitado por um ente querido (Blumenthal, 1990; Brent et al., 1988; Conwell et al., 2002; Shaffer et al., 1988; Joiner e Rudd, 2000).

O abuso físico e sexual também é fonte importante do estresse (Wagner, 1997). Novas evidências confirmam que o estresse e os desastres naturais aumentam a probabilidade do suicídio (Krug et al., 1998).
Com base nos dados de 337 países que experimentaram desastres naturais nos anos 1980, os autores concluíram que as taxas de suicídio aumentaram 13,8% nos quatro anos após enchentes graves, 31% nos dois anos após furacões e 62,9% no primeiro ano após um terremoto.
Dadas as vulnerabilidades preexistentes incluindo os transtornos psicológicos, os traços da impulsividade e ausência de apoio social -, um acontecimento estressante pode colocar uma pessoa no limite.

O suicídio é contagioso?

Sempre ouvimos sobre o suicídio de um adolescente ou de uma celebridade. A maior parte das pessoas reage a esse fato com tristeza e curiosidade. Algumas reagem tentando se suicidar, frequentemente pelo mesmo método que acabaram de ouvir. Gould (1990) relatou o aumento no número de suicídios em um período de nove dias após a ampla divulgação de um suicídio Grupos de suicidas (diversas pessoas imitando uma) parecem predominar entre os adolescentes: 5% de todos os suicídios entre adolescentes refletem uma imitação (Gould, 1990).

Por que alguém iria querer imitar um suicídio?
Primeiro, é comum a mídia romantizar os suicídios: uma pessoa jovem e atraente, sob pressão insuportável, comete suicídio e se torna um mártir para amigos e pares, dá o troco ao mundo (adulto) por criar essa difícil situação.
A mídia também costuma descrever em detalhes os métodos usados no suicídio, com isso, oferece um guia para vítimas potenciais.
Pouco é relatado sobre paralisia, dano cerebral e outras consequências trágicas.
O mais importante: pouco é dito sobre a futilidade desse método de resolver problemas (Gould, 1990; O’Carroll, 1990). Para evitar esse tipo de tragédia, a mídia não deveria glorificar os suicidas, e os profissionais da área da saúde deveriam intervir nas escolas e em outras comunidades para atingir as pessoas que poderiam estar deprimidas ou vulneráveis ao contágio do suicídio.
No entanto, não está claro que o suicídio seja “contagioso” como se fosse uma doença infecciosa.
Em vez disso, o estresse provocado pelo suicídio de um amigo ou algum outro estresse importante pode afetar diversos indivíduos que são vulneráveis, em função de transtornos psicológicos existentes (Joiner, 1999). Não obstante, a intervenção eficiente é essencial.



Tratamento

Apesar da identificação de importantes fatores de risco, prever o suicídio ainda é algo incerto. Indivíduos com muito poucos fatores precipitantes se matam, por outro lado, muitos que vivem com estresse e doença aparentemente insuperáveis e têm pouco apoio ou orientação social de alguma forma sobrevivem e superam suas dificuldades.
Muitos profissionais da área da saúde mental são treinados para avaliar a possível ideação suicida. Há os que relutam em fazer questões importantes por medo de colocar a ideia na cabeça de alguém.
Entretanto, sabemos que é mais importante verificar esses “segredos” do que não fazer nada, porque o risco de inspirar pensamentos suicidas é muito pequeno e o risco de deixa-los velados é enorme.
Por conseguinte, se houver uma indicação, qualquer que seja, de que alguém é suicida, o profissional da área da saúde mental deve perguntar “O pensamento de que a vida não vale a pena tem lhe ocorrido recentemente e a qualquer hora?” ou “Você pensou em se ferir ou se matar?”
O profissional da área da saúde mental também verifica possíveis humilhações recentes e determina se qualquer um dos fatores que estão presentes poderia indicar alta probabilidade para o suicídio.
Por exemplo, uma pessoa que esta pensando em suicídio tem um plano detalhado ou apenas uma vaga fantasia?
Se ha um plano que inclui tempo, lugar e método especificamente, o risco obviamente é alto.
O plano detalhado envolve colocar em ordem todas as obrigações da pessoa e colocar de lado as posses e os atos finais?
Em caso positivo, o risco e ainda mais alto. Qual método a pessoa está considerando? Geralmente, quanto mais letal e violento o método (armas, enforcamento, envenenamento e assim por diante). maior o risco de ser usado.
A pessoa realmente entende o que pode vir a acontecer? Muitos não conhecem os efeitos de comprimidos pelos quais poderiam entrar em overdose.
Por fim, a pessoa tornou precauções para não ser descoberta? Em caso positivo, o risco é extremo (American Psychiatric Association, 2003).

Se houver risco, os clínicos tentam fazer que o individuo concorde com um “contrato de não suicídio” ou ate mesmo faça-o assina-lo.
Normalmente, esse contrato inclui uma promessa de não fazer nada relacionado a suicídio sem primeiro entrar em contato com um profissional da área da saúde mental.
Se a pessoa que corre risco recusa o contrato (ou o clinico tem serias dúvidas sobre a sinceridade do paciente), e o risco suicida é considerado alto, indica-se a hospitalização imediata, até contra a vontade do paciente.
Independentemente de a pessoa ser ou não hospitalizada, o tratamento para resolver os estressores e o tratamento para os transtornos psicológicos devem ser imediatamente iniciados.

Em vista das consequências do suicídio para a saúde publica, diversos programas tem sido implementados para reduzir suas taxas. Tais programas, que são baseados no currículo, envolvem equipes de profissionais que vão a escolas e a outras organizações para informar as pessoas sobre o suicídio e sobre como lidar com o estresse.
O Reino Unido, por exemplo, teve como meta reduzir os índices de suicídio em 15%, e os profissionais da área da saúde mental e legisladores políticos estão determinando os melhores métodos para se atingir essa meta (Lawns, Hawton e Jones, 1997).
Mais recentemente. a Surgeon General dos Estados Unidos emitiu um relatório abrangente sobre a prevenção de suicídio (U.S. Public Health Servrce, 2001).
Com foco em adultos mais velhos, grupo de alto risco. Infelizmente, a maior parte das pesquisas indica que programas que façam a população geral não são eficientes (Garfield e Zigler, 1993; Shaffer et al., 1991).

Os programas mais úteis são os que focalizam os indivíduos de alto risco, incluindo adolescentes que frequentam escolas em que algum estudante cometeu suicídio.
O Instituto de Medicina (The Institute of Medicine, 2002) recomenda disponibilizar de imediato os serviços aos amigos e parentes das vitimas.
Um passo importante e limitar o acesso a armas letais para qualquer um em risco de suicídio.
Em um importante estudo, acompanhando um suicídio em uma escola, Brent e colaboradores (1989) identificaram 16 estudantes que corriam grande risco e os encaminharam para tratamento.
Os números de telefone gratuitos e outros serviços que possam intervir nas crises também parecem ser úteis. Não obstante, como Garfield e Ztgler (1993) salientam, os voluntários que atuam nos serviços telefônicos de apoio devem ser treinados por profissionais competentes da área da saúde mental que consigam identificar os riscos potencialmente sérios.

Tratamentos específicos para pessoas que correm risco também foram desenvolvidos. Por exemplo, Salkovskis, Atha e Storer (1990) trataram de 20 pacientes que corriam risco de tentativas repetidas de suicídio com uma abordagem de resolução de problemas cognitivo-comportamental.
Os resultados indicaram que essas pessoas tiveram muito menos propensão de tentar suicídio nos seis meses após o tratamento.
Marshal Linehan e colaboradores (por exemplo, Linehan e Kehrer, 1993) desenvolveram um tratamento notável para o tipo de comportamento impulsivo suicida associado com o transtorno de personalidade borderline.
Em um importante estudo, David Rudd e colaboradores desenvolveram um breve tratamento psicológico cujo foco era adultos jovens que corriam risco de suicídio em função da presença da ideação suicida acompanhada por tentativas prévias de suicídio e/ou transtornos de humor ou por uso de substância (Rudd et al,, 1996).
Aleatoriamente designaram 264 jovens para um novo tratamento ou para o tratamento como usual na comunidade.
Os pacientes passaram aproximadamente nove horas por dia durante duas semanas em tratamento no hospital.
O tratamento consistia em resolução do problema, desenvolvimento da competência social, enfrentamento mais adaptativo dos problemas e reconhecimento das experiências emocionais e de vida que poderiam ter precipitado a tentativa ou ideação de suicídio.
Os pacientes foram avaliados por dois anos após o tratamento, e os resultados indicaram reduções na ideação e comportamento suicida, bem como melhora notável na capacidade de resolver problemas. Além disso, o tratamento Experimental breve foi significativamente mais eficiente ao manter os jovens adultos que corriam riscos maiores no programa.
Esse programa tem sido expandido para o primeiro tratamento psicológico do comportamento suicida com apoio empírico para sua eficácia (Rudd, Joiner e Rajah, 2001).
Com a taxa elevada de suicídio, particularmente entre adolescentes, o ato trágico e paradoxal está recebendo um crescente escrutínio das autoridades ligadas à saúde pública.
A indagação continua para que seja possível determinar as maneiras mais eficientes e eficazes de prevenir a consequência mais seria de qualquer transtorno psicológico: acabar com a própria vida.

Resumo:

O suicídio frequentemente é associado com os transtornos de humor, mas não precisa deles para ocorrer. Em todo caso, a incidência de suicídio tem aumentado nos últimos anos, particularmente entre adolescentes, caso em que é a terceira causa de morte.
Para compreender o comportamento suicida, dois índices são importantes: a tentativa de suicida (que não é bem-sucedida) e a ideação suicida (sérios pensamentos sobre cometer suicídio).
Igualmente importante também é aprender sobre os fatores de risco nos suicídios por meio da necropsia psicológica, em que o perfil psicológico de um indivíduo que cometeu suicídio é reestruturado e examinado por meio de pistas.

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