A ideologia assassina esquecida

Texto de Ronaldo Mota – Perfil e Página



 

Um domínio intelectual esquerdista tem causado um terrível dano à consciência histórica no Mundo Ocidental. Essa intelectualidade doentia praticamente domina as universidades, forma nossos professores e nossos filhos. Além disso, tem um grande poder na mídia e na indústria cinematográfica. Os grupos que ousam se opor a esse domínio são, em geral, minoritários, desarticulados e muitas vezes frágeis teoricamente.

Esse domínio das esquerdas contribuiu para o obscurecimento e esquecimento das consequências catastróficas da ideologia comunista. Esse dano à consciência histórica ocidental é uma realidade verificada até por comunistas. Alain Besançon, comunista até o fim da era stalinista, diretor de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, estudando o nazismo e o comunismo, declarou:

A memória histórica, no entanto, não os trata de forma igual. O nazismo, apesar de completamente desaparecido há mais de meio século, é, com razão, objeto de uma execração que não diminui com o tempo. A reflexão horrorizada sobre ele parece até aumentar a cada ano em profundidade e extensão. O comunismo, em compensação, apesar de muito mais recente, e apesar inclusive de sua queda, se beneficia de uma amnésia e de uma anistia que colhem o consentimento quase unânime, não apenas de seus partidários, pois eles ainda existem, como também de seus inimigos mais determinados e até mesmo de suas vítimas. Nem uns nem outros se acham com direito de tirá-lo do esquecimento. Acontece às vezes que o caixão de Drácula se abre. Foi assim que, no final de 1997, uma obra (O livro negro do comunismo)* ousou calcular a soma dos mortos que era possível atribuir-lhe. Propunha-se uma cifra de 85 a 100 milhões. O escândalo durou pouco e o caixão já se fecha, sem que, no entanto, essas cifras tenham sido seriamente contestadas.”.1



Robert Gellately, em sua erudita obra Lênin, Stálin e Hitler – A Era da Catástrofe Social, nota esse mesmo efeito da amnésia ocidental a respeito do comunismo:

O Comunismo não sofreu a mesma vilificação que o nazismo, apesar de tudo o que viemos a aprender sobre as perseguições e assassinatos em massa na União Soviética, China, e outros países. Talvez porque o comunismo tivesse a intenção de possuir um propósito libertador universal. Deveria trazer o fim das desigualdades e estabelecer uma real justiça social. Para muitos de seus adeptos, parece não importar muito que o regime soviético tenha produzido o exato oposto em praticamente todos os pontos.”.2

Alain Besançon, antes ferrenho comunista, após ter acesso aos incríveis massacres perpetrados pelo comunismo passou a uma visão mais crítica a respeito do mesmo. Segundo ele, os massacres de homens numa escala aterradoramente grande e de modos os mais brutais, só foi possível graças à ascensão ao poder destes dois monstros totalitários: Nazismo e Comunismo. Ele nota muito bem que:

Esses “gêmeos heterozigotos” (Pierre Chaunu), ainda que inimigos e originários de histórias diferentes, têm vários traços em comum. Eles se colocam como objetivo chegar a uma sociedade perfeita, destruindo os elementos negativos que se opõem a ela.”.3

A quem quer que tenha lido o Manifesto do Partido Comunista e se dedicado a estudar a ideologia comunista, mãe e mestra de nossas esquerdas atuais, ficará patente que o comunismo, bem como o nazismo, fundamenta-se numa revolta contra a natureza humana. Nessa revolta contra o Homem como ele é, nesse afã de criar um novo Paraíso Terrestre, qualquer coisa, qualquer meio, até o mais sangrento, se torna legítimo e desejável. A Democracia e a Constituição são desprezíveis e meramente funcionais na escalada ao poder que visa o estabelecimento do socialismo pleno, ou seja, o comunismo. É exatamente esse pensamento que verificamos nos líderes socialistas de ontem e de hoje.

Como bem nota Robert Gellately, estudando Lênin:

Livrar-se da monarquia absolutista e substituí-la por um sistema constitucional era apenas o prelúdio para uma revolução mais autêntica. Nada disso iria acontecer sem derramamento de sangue, e para Lênin era óbvio que a luta de classes significava guerra civil. Ele estava convencido de que o comunismo tinha de ser imposto pela violência. Seus seguidores eram elitistas até a medula e convencidos da própria superioridade. Eles decidiram, sem pedir permissão a ninguém, criar um novo mundo de alto a baixo.”.

Eles odiaram o Homem como ele é; desprezaram a realidade da natureza humana; quiseram criar um novo homem à base da eliminação física dos opositores; terminaram na insanidade, miséria e morte.

Essa natureza profunda comum a estes dois monstros totalitários é muito bem retratada num magnífico documentário intitulado The Soviet Story. Nosso objetivo, com esse curto comentário, foi apenas fornecer uma introdução ao tema e divulgar esse trabalho de grandes estudiosos que é tão pouco conhecido.

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1 Alain Besançon. A Infelicidade do Século: sobre o comunismo, o nazismo e a unidade da Shoah. Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 2000, p. 10.

2 Robert Gellately. Lênin, Stálin e Hitler: A Era da Catástrofe Social. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2010, p. 25.

3 Alain Besançon. Idem, p. 9.






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Jornalista (MTB - 0083932/SP; Associação Brasileira de Jornalista -ABJ- 2457) , com cursos nas áreas de jornalismo digital, jornal impresso, fundamentos do jornalismo, jornalismo investigativo, assessoria de imprensa e comunicação interna. Estudante de direito (Unip) e história (Anhanguera), possuo diversos cursos de especialização na área de psicologia/psicopatologia, entre eles: urgências psiquiátricas, perícias criminais, psicopatologia da infância e adolescência, transtornos de personalidade, terapia cognitivo-comportamental, psicanálise: teoria e técnica, gestalt terapia, criminologia, sexualidade - normal e patológica, psicofarmacologia, psicologia forense, neuroanatomia, abuso sexual infantil, predadores sexuais, psicologia social e violência doméstica, enfermagem em saúde mental, medicina legal e psicologia penitenciária. Certificado INBOUND pela HUBSPOT ACADEMY. Meu canal: https://www.youtube.com/c/CamilaAbdoCalvo

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